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Além do LLM: Agent Harness Engineering e governança de IA
O maior desafio nunca foi o modelo. Foi o harness do agente.
Ao longo do último ano participei do desenvolvimento de agentes de IA para ambientes industriais. E a experiência me deixou uma conclusão que eu não esperava.
O começo
A ideia inicial parecia simples. Construir um assistente conectado em tempo real a:
- Sinais de planta (OT)
- Relatórios operacionais e incidentes (IT)
- Documentação técnica e múltiplas fontes de dados
No início, com poucos processos e documentos limitados, tudo funcionava incrivelmente bem. O agente respondia bem e a equipe estava entusiasmada.
Então veio a pergunta inevitável: e se escalarmos?
A virada
Passamos de dezenas para milhares de sinais. De alguns PDFs para repositórios inteiros. Incorporamos RAG, sistemas multiagente e MCP.
E aí a realidade nos atingiu: quanto mais escalava, menos consistente ficava.
O que respondia bem em um dia falhava no seguinte. As instruções "se perdiam". O comportamento se tornava imprevisível.
Nossa primeira intuição? Culpar o modelo. Achamos que o prompt estava errado. Achamos que as ferramentas falhavam. Achamos que precisávamos de um LLM mais avançado.
Estávamos olhando na direção errada.
O diagnóstico
O problema não era o modelo. Era o design de todo o sistema ao seu redor.
Aquilo que hoje a academia já pesquisa sob o nome de Agent Harness Engineering descreve exatamente o que vivemos. Elementos que acabam sendo tão ou mais importantes que o próprio LLM:
- Arquitetura: memória, gestão de contexto, orquestração e observabilidade.
- Governança: permissões, regras de negócio e entendimento real do processo.
Um agente não é software tradicional
A isso se soma o choque de expectativas. Muitos líderes esperam que um agente atue de forma determinística, como o software tradicional. Mas os agentes não funcionam assim. Têm incerteza e variabilidade.
Quem vem do mundo dos modelos probabilísticos, e eu trabalho com machine learning há mais de 15 anos, reconhece esse comportamento imediatamente: não é uma falha, é a natureza do sistema.
A lição
Uma organização pode escalar agentes sem uma estratégia e um modelo de governança para IA? Minha experiência diz que não.
A conversa sempre começa pelos modelos, mas deveria começar pela arquitetura, pelo modelo operacional e pelo processo. Os agentes bem-sucedidos não são apenas uma coleção de prompts; são sistemas complexos. Sem esse contexto, até o melhor modelo chegará a conclusões incorretas.
A maioria dos problemas não vem da IA. Vem de como projetamos o sistema que a cerca.
Sua organização já está pensando no harness, ou ainda procura o modelo perfeito?
Para aprofundar
Anthropic, Effective Context Engineering for AI Agents (2025) · Chroma, Context Rot: How Input Tokens Impact LLM Performance · Agent Harness for LLM Agents: A Survey (2026).
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